Blog
Como calcular o volume de treino: séries diretas e indiretas
Sumário
Para calcular o volume de treino de um músculo, some suas séries de trabalho diretas e uma parte das indiretas. Um método prático atribui 1,0 às séries diretas e 0,5 às indiretas. Assim, você considera, por exemplo, que o tríceps trabalha no supino além dos exercícios específicos para ele.
O método é chamado de fractional counting, ou contagem fracionada, e as séries resultantes são as fractional sets. O hitPR usa o nome Hits. Esse número ajuda a identificar o trabalho compartilhado entre exercícios da sua ficha de treino. Sozinho, ele não mostra quanto um músculo vai crescer nem o quanto já se recuperou.
O que conta como uma série para um músculo?
Volume de treino pode significar coisas diferentes. Você pode contar todas as séries de uma sessão ou multiplicar séries, repetições e carga. Para saber quanto trabalho um grupo muscular específico recebe, também precisa relacionar os exercícios aos músculos: dez séries na ficha raramente significam dez séries para cada músculo.
As séries diretas são atribuídas ao músculo que o exercício prioriza no sistema utilizado. Isso inclui exercícios isolados, como roscas para bíceps, mas também multiarticulares, como o supino para o peito. Aqui, “direto” não significa “somente com exercícios isolados”.
As séries indiretas aparecem quando outro músculo contribui de forma importante para o movimento e recebe uma classificação secundária. No sistema usado aqui, é o caso do tríceps e do deltoide anterior no supino com barra. Uma série pode entrar na conta de vários músculos, embora você a tenha realizado apenas uma vez.
A classificação como principal ou secundário depende do exercício específico. Pegada, equipamento e execução podem influenciar. Por isso, não convém aplicar a classificação do supino com barra a todo exercício de empurrar sem conferir a variante.
Como o mesmo treino pode somar seis, dez ou quatorze séries
Suponha que sua semana tenha oito séries de trabalho de supino com barra e seis de tríceps na polia. Existem três maneiras de contar o trabalho do tríceps:
| Método de contagem | Supino: 8 séries | Tríceps na polia: 6 séries | Tríceps por semana |
|---|---|---|---|
| Contar apenas séries diretas | 0 | 6 | 6 |
| Contar metade das séries indiretas | 4 | 6 | 10 |
| Contar as séries indiretas por inteiro | 8 | 6 | 14 |
Nos três casos, você realizou as mesmas quatorze séries. A diferença está apenas na parcela atribuída ao tríceps. A conta fracionada é 6 + 8 × 0,5 = 10 séries ponderadas para tríceps.
As oito séries de supino representam oito séries ponderadas para o peito e quatro para o deltoide anterior. São totais separados por músculo. Somá-los não cria um novo número de séries realmente executadas nem uma medida da fadiga total da sessão.
A mesma sobreposição acontece nos exercícios de puxar: com essa classificação, oito séries de barra fixa e seis de rosca com barra resultam em dez séries ponderadas para bíceps. Contar apenas as roscas deixa a contribuição da barra fixa fora do planejamento.
Por que contar metade das séries indiretas?
O fator 0,5 tem respaldo científico como modelo de cálculo. Uma metarregressão sobre volume de treino comparou três formas de analisar estudos de treinamento existentes: excluir as séries indiretas, contá-las pela metade ou por inteiro. Entre essas opções, a contagem fracionada recebeu o maior suporte para descrever a relação entre volume e crescimento muscular.
O fator não foi determinado experimentalmente para cada músculo e exercício. Os autores apresentam 0,5 explicitamente como uma aproximação; a parcela adequada pode variar, entre outras coisas, conforme o exercício e a experiência de treino. O estudo apoia uma ferramenta coerente de planejamento, não uma afirmação como “uma série de supino produz exatamente metade do estímulo de crescimento no tríceps”.
Essa opção intermediária tem uma vantagem prática: considera o trabalho muscular compartilhado entre exercícios sem atribuir uma série inteira a cada músculo secundário. A conta também fica fácil de acompanhar. Você consegue ver se um número alto vem principalmente de exercícios diretos ou de muitas contribuições indiretas.
A contrapartida é a simplificação. Meia série parece uma quantidade precisa, mas o efeito individual do treino não pode ser quantificado com tanta exatidão. Duas fichas com o mesmo total ponderado ainda podem diferir bastante na escolha dos exercícios e nos efeitos.
Até que ponto a classificação dos músculos é confiável?
Uma classificação útil considera a função dos músculos no movimento e, sempre que possível, dados de treinamento a longo prazo. Medidas da atividade elétrica muscular, chamadas de EMG, podem fornecer pistas. Mas um valor mais alto de EMG não se converte em um percentual correspondente de crescimento muscular. A revisão sobre a contagem de séries em exercícios multiarticulares também descreve essa limitação.
O agachamento mostra por que alguma participação, por si só, não basta para justificar a classificação. Em um estudo de dez semanas com 17 homens, o treino com agachamentos aumentou, entre outros resultados, o volume dos extensores do joelho avaliados, dos glúteos e dos adutores. Não foi detectado um aumento correspondente nos músculos posteriores da coxa. O estudo é pequeno e não comprova uma ausência geral de efeito. Ainda assim, questiona a ideia de contabilizar agachamentos como um treino completo de todos os músculos das pernas.
Também podem existir diferenças ocultas dentro de um grupo muscular. Em uma comparação de doze semanas entre cadeira extensora e leg press, 17 adultos sem experiência de treinamento exercitaram cada perna com um dos movimentos. O crescimento do quadríceps como um todo foi semelhante, mas uma de suas partes — o reto femoral — cresceu mais com a cadeira extensora. Um único número para o quadríceps não mostra essa distribuição diferente.
Use a classificação muscular para ter uma visão geral da ficha. Além disso, avalie se a seleção dos exercícios corresponde ao seu objetivo específico. Mesmo uma divisão bem fundamentada entre “principal” e “secundário” não fornece um fator medido com exatidão para cada exercício.
Como comparar Hits com recomendações de séries
Diante de uma recomendação como “dez séries por músculo por semana”, primeiro confira o método de contagem. Seria errado presumir que a literatura sempre conta apenas séries diretas. A revisão de 2019 já descreve análises nas quais a puxada e a rosca contam, cada uma, como uma série completa para os flexores do cotovelo. Os próprios autores recomendavam essa contagem integral na época, para manter a coerência com os dados disponíveis.
A direção da diferença depende da comparação. Em relação à contagem exclusiva de séries diretas, o total fracionado é maior quando entram séries indiretas. Em relação a uma contagem que considera essas mesmas séries indiretas por inteiro, é menor. A troca de método não muda o treino realizado.
Antes de aplicar uma recomendação à sua ficha, confira três pontos:
- Classificação muscular: quais exercícios foram atribuídos ao músculo avaliado?
- Ponderação: as séries indiretas contam como 0, 0,5 ou 1?
- Período: o valor se refere a uma sessão, uma semana ou à média de um plano mais longo?
Sem essas informações, a recomendação continua sendo uma orientação geral. Uma conversão fixa como “dez séries da literatura equivalem a quinze Hits” não seria justificável. Para escolher seu próprio volume, consulte o artigo sobre séries por grupo muscular por semana.
O que os Hits significam no hitPR
No hitPR, uma série incluída no cálculo vale 1,0 Hit para um músculo principal e 0,5 Hits para um músculo secundário. Isso deixa as sobreposições visíveis mesmo quando você organiza a ficha por exercícios, em vez de músculos individuais. O mapa muscular e os valores de volume por músculo ajudam a visualizar essa distribuição.
Os exemplos abaixo correspondem às classificações padrão verificadas na biblioteca de exercícios em outubro de 2026. Na tabela, cada série incluída atribui 1,0 ao músculo principal e 0,5 a cada secundário listado:
| Exercício da biblioteca | Principal: 1,0 | Secundários: 0,5 para cada um |
|---|---|---|
| Supino com barra | Peito | Tríceps, deltoide anterior |
| Tríceps na polia | Tríceps | Nenhum |
| Rosca com barra | Bíceps | Antebraços |
| Barra fixa | Dorsais | Parte superior das costas, deltoide posterior, bíceps, antebraços |
| Agachamento com barra | Quadríceps | Glúteos, adutores |
O exemplo com oito séries de supino e seis de tríceps na polia soma, portanto, dez Hits para tríceps. Quatro séries de agachamento geram quatro Hits para quadríceps e dois para cada um dos outros grupos: glúteos e adutores. Essa variante de agachamento não atribui Hits aos posteriores da coxa. Isso descreve a contagem cadastrada; a ausência de um registro não significa que o músculo esteja completamente inativo.
O cálculo segue regras definidas. Na versão verificada, o cálculo da ficha considera séries de 1 a 35 repetições. Séries de aquecimento e exercícios medidos por tempo ou distância não entram nesse total de séries por músculo. Esses limites descrevem o cálculo do aplicativo. Não significam, por exemplo, que uma série deixe de fornecer estímulo a partir da repetição 36.
Os valores da ficha descrevem o volume previsto; uma média semanal não representa uma sessão isolada. Ao avaliar sua semana, considere também quanto desse treino foi realmente concluído. Se você editou a classificação muscular de um exercício, sua tela pode mostrar valores diferentes dos exemplos padrão.
Quando uma classificação da biblioteca é aprimorada, o volume muscular recalculado a partir dela também pode mudar. Isso não aumenta nem diminui o número de séries executadas no plano. O novo valor distribui o mesmo trabalho de outra forma entre os músculos. Comparar dados de antes e depois dessa mudança exige olhar para os exercícios e suas classificações.
Como usar esse número para planejar o treino
A maior vantagem é enxergar o trabalho direto e o indireto em conjunto. No exemplo do tríceps, as seis séries na polia representam apenas parte do trabalho semanal. Antes de acrescentar mais séries diretas, você pode considerar quanto trabalho de empurrar já está na ficha e como está evoluindo com ela.
A qualidade das séries também importa. O quão perto da falha muscular você encerra uma série influencia seu efeito. Uma metarregressão sobre a proximidade da falha encontrou, em média, maior crescimento muscular quando as séries terminavam mais perto da falha. A relação exata permaneceu incerta porque os níveis de esforço foram estimados. O total de séries ponderadas, sozinho, não capta essas diferenças. O artigo sobre séries efetivas explica como avaliar séries de trabalho exigentes.
Manter a mesma forma de contagem é especialmente útil para acompanhar sua evolução. Com exercícios, execução e esforço semelhantes, fica mais fácil relacionar uma mudança no número de séries aos seus resultados. Observe também o desempenho e se houve recuperação suficiente até a sessão seguinte. Uma cor mais intensa no mapa muscular não é, por si só, motivo para acrescentar séries.
A conta também não substitui a escolha dos exercícios. Duas séries indiretas equivalem matematicamente a uma direta, mas isso não permite trocar livremente qualquer exercício por outro. O movimento escolhido continua sendo relevante, sobretudo quando você quer trabalhar uma parte específica de um músculo.
Conclusão
A contagem fracionada mostra como diferentes exercícios contribuem para o treino de um músculo. Somar as séries diretas e metade das indiretas oferece uma base clara para avaliar sua ficha e as mudanças nela. Compare recomendações que usam a mesma contagem e avalie sua evolução também pelo treino realmente realizado. Assim, o número continua útil para planejar sem sugerir uma precisão que não pode oferecer.
Fontes
- Pelland, J. C. et al. (2026; online 2025). The Resistance Training Dose Response: Meta-Regressions Exploring the Effects of Weekly Volume and Frequency on Muscle Hypertrophy and Strength Gains. Sports Medicine, 56, 481–505. Publicação e DOI.
- Schoenfeld, B. J. et al. (2019). Calculating Set-Volume for the Limb Muscles with the Performance of Multi-Joint Exercises: Implications for Resistance Training Prescription. Sports, 7(7), 177. Texto completo e DOI.
- Kubo, K., Ikebukuro, T. e Yata, H. (2019). Effects of squat training with different depths on lower limb muscle volumes. European Journal of Applied Physiology, 119, 1933–1942. Publicação e DOI.
- Kinoshita, M. et al. (2026). Hypertrophic Effects of Single- versus Multi-Joint Exercise: A Direct Comparison Between Knee Extension and Leg Press. Medicine & Science in Sports & Exercise, 58(7), 1566–1580. Publicação e DOI.
- Robinson, Z. P. et al. (2024). Exploring the Dose–Response Relationship Between Estimated Resistance Training Proximity to Failure, Strength Gain, and Muscle Hypertrophy: A Series of Meta-Regressions. Sports Medicine, 54, 2209–2231. Publicação e DOI.
Perguntas Frequentes
Como calcular o volume de treino por grupo muscular?
O supino conta como treino de tríceps?
O que são fractional sets?
Dez Hits equivalem a dez séries de um estudo?
Duas séries indiretas substituem uma direta?
Artigos relacionados
Em breve
Em breve para Android e iOS. Participe do lançamento.